Por João Araújo - secretário executivo do Cetur/AM
O homem foi considerado o centro do universo principalmente durante o período do Renascimento (séculos XV e XVI) , um período de transição entre a Idade Média e a Moderna. Essa visão, conhecida como antropocentrismo , valorizava a razão humana, a autonomia e a capacidade criativa, colocando a humanidade como o foco do conhecimento.
A Idade Moderna, período da história abrangendo aproximadamente do século XV ao final do Século XVIII, moldou o pensamento racional e científico que influenciou o período de transição para o início do desenvolvimento do capitalismo com a 1ª. Revolução Industrial, iniciada na Inglaterra por volta no ano de 1760, perdurando até meados de 1840-1850.
O homem, a partir desse período, também foi o centro da Revolução Industrial , tanto como executor do trabalho mecanizado quanto como agente de transformação social. Sua importância na Teoria Geral da Administração está em ter inspirado os primeiros estudos sobre eficiência, organização e relações de trabalho, que moldaram os fundamentos da administração moderna.
Onde queremos chegar com esse preâmbulo?Na posição que o homem hoje assume como viajante / turista.O Turismo do futuro não é sobre quem conhece mais destinos, mas sobre quem entende de pessoas, desejos, dores e decisões.
Ao Empreendedor no turismo não basta apenas “transformar um sonho em realidade”, mas oferecer experiências marcantes, vivências memoráveis, lembranças inesquecíveis e momentos únicos.Não é sobre vender ou realizar um “pacote”, mas oferecer alternativas sensoriais, onde o sentir é despertado pelas emoções, sabores, pertencimento, exclusividade, criatividade, acolhimento, bem-estar e valorização.Talvez não seja o preço do pacote que importa, mas o que a viagem pode significar, indo muito além de conhecer mais destinos ou um destino.
Qual o segredo por traz do destino ter atrativos, mas não conseguir ter fluxo? Pode ser falta de CLAREZA no seu posicionamento por falta de roteirização: sem roteiros estruturados, onde o turista fica perdido; ausência de uma narrativa precisa e fácil de comunicar e de entender; e lacuna no alinhamento contínuo sobre os atores principais, ou seja, relacionamento, o que é fundamental!
Outra possibilidade é a falta de ESTRATÉGIA.Rotas tem que ser bem estruturadas e isso é estratégico e não apenas um detalhe operacional.Rotas organizam tempo, experiências e consumo.Sem rotas ou excesso delas o destino parece um improviso, sendo necessário investimento no básico para consolidar um roteiro no destino, o que é o mais assertivo.
Podemos mencionar alguns pontos principais para um destino manter fluxo de turistas contínuo e escalável: não depender apenas de eventos; ter um padrão de experiências; consumo distributivo; narrativa fácil para “vender”; uma sinalização favorável que possibilite a mobilidade; uma logística aérea acessível; e estruturação da oferta.Não é somente o valor da viagem que define a escolha do destino, por isso é comum em alguns mercados, o turista programar sua viagem com até dois anos de antecedência.Não sabemos o autor da máxima “o mercado compra produtos e não atrativos isolados”, mas lembrem-se disso, caros empreendedores!
Feitas as breves considerações chegamos ao ponto principal deste artigo: o Brasil e o Amazonas, assim como alguns destinos internacionais, vivem um novo boom de viagens com recorde de vôos, mais turistas circulando entre as regiões brasileiras e destinos nacionais cada vez mais em evidência no mundo, o que denota a quantidade de turistas que visitaram o Brasil em 2025 segundo dados do EMBRATUR e os números divulgados pela AMAZONASTUR dos viajantes que visitaram o Estado.
A recente pesquisa IVT2026 – Índice de Viagens e Turismo, realizado pela Brasil em Mapas, analisou dados públicos, plataformas globais de viagem e alguns rankings internacionais para descobrir e informar os 50 destinos mais relevantes do Brasil para 2026.A classificação é um retrato real de como o Brasil está sendo buscado e desejado como um país mais diverso, regional e competitivo no turismo global.
De acordo com informações, o IVT varia de 0 a 100 e mede a relevância turística de destinos brasileiros a partir de 4 dimensões estruturais, em 15 parâmetros normalizados, ponderados e combina demanda turística , conectividade aérea , visibilidade internacional , avaliação de viajantes e dados oficiais .
Os resultados divulgados, apontam Manaus como o 5º. hub internacional do Brasil, como portão de entrada para a Amazônia, ficando atrás de Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Fortaleza (CE) e Salvador (BA), à frente de Recife (PE). Aponta também Parintins como um hub internacional de nicho devido ao Festival Folclórico dos Bumbás.
No quesito regiões, a Amazônia figura entre Jalapão, Chapadas, Festivais e destinos no interior do país, classificados na pesquisa como nichos em alta, que indicam procura pelos segmentos de ecoturismo, praias fora de roteiros comuns e turismo de experiência, do qual já comentamos anteriormente.
Lençóis Maranhenses, Fernando de Noronha, Gramado, Jalapão e Florianópolis, são alguns dos destinos nacionais que aparecem em evidência, segundo a pesquisa IVT2006.
Portanto, evidenciamos que a relação e articulação entre o público, o privado, os empreendedores e as instituições de classe, devem estar cada vez mais próximos para promover o aumento do fluxo turístico para o Estado.Acreditamos que a retomada da rota Caracas / Manaus / Caracas pela RUTACA e a recente notícia da integração das malhas aéreas da COPA AIRLINES e ALL NIPPON AIRWAYS (ANA), possibilitando que passageiros embarcados em Manaus, possam fazer conexões no hub das américas no Panamá, aumentando a conectividade e, também, que a recíproca possa ser verdadeira, oportunizando ao mercado japonês, que figura entre os maiores emissores para o Amazonas, a captação de mais turistas vindos da Ásia para o Amazonas.UM NOVO MOMENTO DO VIAJANTE PARA O ESTADO.