Turismo de luxo e a Amazônia

Turismo de luxo e a Amazônia

Por João Araújo - secretário executivo do Cetur/AM

Todos nós sabemos que a Amazonia é um destino que está presente no imaginário de muitos turistas mundo afora, que ainda é uma região desconhecida por muitos viajantes, que é exótica e mística na mesma proporção e que necessita, por tudo isso, ser apresentada em seu real estado: acessível!

Da mesma forma como turismo de aventura, ecoturismo e turismo de natureza são os carros chefes de atratividade para viagens à região Amazônica, o turismo cultural, gastronômico, de eventos, religioso e de negócios também fortalecem os estados e cidades que compõem essa vasta região do globo terrestre.E o que podemos dizer do turismo de luxo?

Sim, existe turismo de luxo na Amazônia! Claro que não da forma como pensamos e conhecemos: luxo soberbo, exuberante, caríssimo, ostentado e quase inacessível, mas de uma forma diferente e que vem crescendo em nível global entre os viajantes.O segmento, hoje em transformação, está sendo definido por experiências genuínas, conexão com a natureza, cultura local, hospitalidade, autenticidade... o desafio se desfralda em deixar de vender apenas destinos e começar a contar histórias que despertem desejos.E este é um grande diferencial do Brasil e da Amazônia brasileira.O luxo da Amazônia é inigualável, não precisa copiar nada de outras regiões da terra, mas precisa mostrar ao mundo o seu próprio luxo.O viajante de luxo deixou de procurar apenas conforto e agora busca significado.A Amazônia representa o Luxo da natureza.

Em um passado não muito distante, viajar significava ver mais, fazer mais e colecionar destinos. Um destino qualquer algoritmo encontra, bastando inserir os dados que o viajante quer, mas experiências inesquecíveis, vivências memoráveis, momentos únicos, satisfação inexplicável, histórias que permanecem e memórias que sobrevivem ao tempo, ainda dependem de pessoas que possam descrevê-las.E são essas pessoas que devem ser valorizadas no segmento, aquelas que podem entender o diferencial buscado por um viajante que possa desejar exclusividade e até anonimato, fugindo de destinos hype e do overtourism, aquele que quer transformar uma simples viagem em uma viagem com proposito.

O verdadeiro luxo pode estar em contemplar uma paisagem surreal, sentir o tempo desacelerar e aproveitar horas etéreas, absorver os sons da floresta ao cair da noite, saborear iguarias e insumos inesperados da gastronomia de raízes indígenas ancestrais, ativar conexões genuínas com os povos da floresta e vivenciar seu “modus vivendi”, aguçar

os sentidos e deixar fluir a imaginação.Aliás, tempo, hoje, é o mais precioso para o viajante de luxo.

A Amazonia está em evidência.Muitos empreendimentos novos e investimentos estão sendo aportados na região, que tem despontado em muitos rankings de gastronomia, hospedagem, wellness e experiências de rotas exclusivas.

Como exemplo, a frota de navios de ultra luxo Explora Journeys, com cabines maiores e experiências de wellness, gastronomia e consumo a bordo, que promove o conceito de “ocean state of mind”, pensa em novas rotas e investimento em tecnologia para minimizar o impacto ambiental e inseriu em seu portfólio a Amazônia.

O Anavilhanas Lodge, o Mirante do Gavião e o Juma Lodge são exemplos e sempre são citados como experiência em hospedagem na floresta.Quando o conforto deixou de ser suficiente, quando o luxo foi sinônimo de lenções impecáveis, piscinas cinematográficas, ambientes frequentados por reis, hotéis perceberam que tinham algo mais valioso a ofertar, como a sensação de pertencer a um mundo cuidadosamente editado, o “som” de um silêncio quase absoluto, ou uma gastronomia sofisticadamente simples... e que se bastam!

Restaurantes como Casa do Saulo (Santarém/PA), Celeste (Belém/PA), Caxiri (Manaus/AM) figuram entre os 100 melhores restaurantes do Brasil no ranking da revista Exame 2026, respectivamente na 30ª., 43ª. e na 99ª. posição.O Restaurante Banzeiro (Manaus/AM) foi eleito o melhor restaurante de 2026 na região norte, pela revista Prazeres da Mesa, ganhando o prêmio Melhores da Gastronomia, assim como Belém/PA, ganhou o mesmo prêmio como Experiência de Turismo Gastronômico e o Pobre Juan (Manaus/AM), como Restaurante de Carne.A jornalista e pesquisadora Carolina Daher descreveu para a CNN Viagens e Gastronomia sua experiencia no Restaurante Biatuiwi (Manaus/AM), primeiro restaurante indígena do Brasil, como “...entender que a comida não faz parte da natureza, ela é a própria natureza”.

Acredite: o luxo também está na Amazônia, em destinos que oferecem oportunidades de vivenciá-los de forma mais profunda, que oferecem significado, qualidade, presença, conexão, lugares que toquem o viajante, que fazem momentos permanecerem e ter experiências com sentido e propósito.

Para terminar, de acordo com números divulgados, o Brasil recebeu 9,3 milhões de turistas internacionais em 2025, crescimento de 37% sobre o ano anterior, tendo como principais

mercados emissores a Argentina, EUA, Chile, Portugal e Espanha.O report anual da Brazilian Luxury Travel Association – BLTA, desenvolvido com o SENAC sobre a indústria do turismo brasileiro, apresentou um número que impressiona por sua robustez: o setor movimentou 7,86 bilhões de dólares em 2025, 71% a mais do que em 2024.A Amazônia é luxo só!