Panorama Econômico – Outubro/2025

Panorama Econômico – Outubro/2025

Por Dr. Max Cohen, economista da Fecomércio-AM

A economia do Amazonas atravessa o último trimestre de 2025 com sinais mistos: de um lado, indicadores de atividade ainda positivos no comércio e serviços; de outro, um ambiente macroeconômico nacional que inspira cautela. O Produto Interno Bruto do estado manteve trajetória de crescimento no segundo trimestre, alcançando R$ 46 bilhões, dos quais 43,8% correspondem ao setor de comércio e serviços — um avanço de 7,3% em relação ao mesmo período de 2024. Essa expansão é sustentada pela recuperação do mercado de trabalho formal e pelo dinamismo de segmentos ligados ao consumo interno, mas contrasta com a moderação observada nos indicadores de confiança e na renda disponível das famílias.

A análise dos indicadores da Confederação Nacional do Comércio (CNC) revela um enfraquecimento do otimismo empresarial e do poder de compra dos consumidores. O Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC) recuou para 114,6 pontos, queda de 6,7% em doze meses, refletindo as incertezas fiscais e a percepção negativa sobre a economia brasileira — 37,4% dos entrevistados afirmam que o cenário piorou. Paralelamente, o Índice de Intenção de Consumo das Famílias (ICF) caiu 5,4% em relação a 2024, enquanto o endividamento alcança 86,6% das famílias, o maior patamar da série neste ano. O tempo médio de atraso nos pagamentos, de 68 dias, indica que o comprometimento de renda com dívidas segue elevado, o que tende a limitar o fôlego do consumo nos próximos meses.

No campo fiscal, os dados da SEFAZ-AM indicam desaceleração na arrecadação do ICMS do segmento de comércio e serviços. Entre janeiro e agosto de 2025, o total arrecadado foi de R$ 5,98 bilhões, ligeiramente abaixo dos R$ 5,99 bilhões do mesmo período de 2024, representando uma variação real de -0,3%. Embora o mês de agosto tenha registrado forte recuperação — com alta de 16,8% frente a agosto/2024 e 24,4% sobre julho/2025 —, esse movimento tem caráter sazonal e não altera a tendência anual de perda de ritmo, refletida na projeção de queda de-1,7% no fechamento de 2025.

No plano macroeconômico nacional, o ambiente continua desafiador. O IPCA acumulado em 12 meses subiu para 5,17%, voltando a ultrapassar a meta do Banco Central, o que mantém a Selic em um patamar historicamente elevado, de 15% ao ano. Embora haja sinal de estabilidade e expectativa de recuo gradual da taxa até 2026, o custo do crédito segue alto, restringindo investimentos e consumo. O câmbio, por sua vez, apresenta volatilidade controlada: o dólar oscilou entre R$ 5,30 e R$ 5,40 no início de outubro, com projeção de R$ 5,68 até o final do ano — um cenário que afeta custos de importação e margens do comércio local, mas também favorece o turismo interno e exportações regionais. Por fim, os dados do Relatório Focus do Banco Central reforçam a leitura de desaceleração da economia brasileira, com impactos esperados sobre o Amazonas.

O mercado de trabalho formal, entretanto, é o principal vetor de otimismo. O estoque de empregos no comércio e serviços atingiu 388,9 mil vínculos em agosto, novo recorde histórico, representando 68,3% dos postos formais do estado. O crescimento de 3,3% em relação a agosto/2024, e 2,7% em relação a dezembro/2024, confirma o vigor da economia urbana manauara e reforça o papel do setor terciário como âncora do desenvolvimento regional. Esse dinamismo, associado à retomada de investimentos logísticos e ao fortalecimento do Polo Industrial de Manaus, cria bases sólidas para um ciclo de estabilidade moderada em 2026.

Aconselhamento estratégico aos empresários: o momento exige gestão prudente, foco em eficiência e adaptação à nova realidade de custos e crédito. Recomenda-se priorizar o controle de estoques e margens, diversificar canais de venda — com ênfase no digital e em nichos de alto valor agregado —, e investir em qualificação e produtividade. A combinação de estabilidade no emprego, moderação na inflação e câmbio previsível abre espaço para uma retomada gradual da confiança no primeiro semestre de 2026, especialmente para empresas que conseguirem equilibrar inovação, competitividade e gestão financeira rigorosa.