Por Francisco Braz da Silva Portela - Superintendente do IBGE AM
Em 2025, o estado do Amazonas alcançou uma população residente estimada em 4,156 milhões de habitantes, resultado de um crescimento contínuo observado ao longo da última década. A capital, Manaus, consolidou-se como o principal polo demográfico do estado, concentrando 2,304 milhões de pessoas, o que corresponde a mais da metade da população amazonense. Essa forte concentração populacional impõe desafios significativos ao planejamento urbano e à provisão de serviços urbanos.
A expansão populacional vem sendo acompanhada por mudanças na estrutura dos domicílios. Observa-se uma redução da densidade domiciliar, com a média de moradores por residência atingindo 3,3 pessoas no estado e 3,0 em Manaus, embora o Amazonas ainda apresente o maior valor desse indicador na Região Norte. Quanto à composição familiar, predominam as famílias nucleares, mas há diferenças marcantes segundo o sexo da pessoa responsável pelo domicílio. Os homens são maioria nos domicílios unipessoais, especialmente na faixa etária de 30 a 59 anos, enquanto as mulheres lideram com maior frequência as famílias estendidas, tanto no estado quanto na capital.
No que se refere à infraestrutura e aos serviços básicos, os dados revelam avanços expressivos. A cobertura da rede geral de abastecimento de água alcançou 76,6% dos domicílios no Amazonas, enquanto o acesso à energia elétrica manteve-se praticamente universal, chegando a 99,8% em Manaus. A gestão de resíduos sólidos também apresentou melhora significativa: a coleta direta de lixo atingiu 83,0% dos domicílios no estado e 96,2% na capital, o que contribuiu para uma redução acentuada da prática inadequada de queima do lixo nas propriedades.
O conforto doméstico e o padrão de consumo das famílias também evoluíram. Destaca-se o aumento expressivo da presença de máquinas de lavar roupa, que passaram a estar presentes em 82,1% dos domicílios manauaras, além do crescimento da posse de motocicletas, refletindo mudanças no perfil de mobilidade e no poder de consumo das famílias.
Apesar desses avanços, o setor habitacional apresenta sinais de alerta. Houve uma retração na proporção de domicílios próprios já pagos, que caiu para 68,2% no Amazonas e 60,2% em Manaus, acompanhada da expansão das moradias alugadas e cedidas. Na capital, a situação é agravada pela queda na regularização fundiária, com o percentual de imóveis próprios com documentação formal recuando para 81,4%, o que significa que 18,6% das residências próprias não possuem comprovação documental, ampliando a insegurança jurídica e a informalidade urbana.
Em síntese, o cenário de 2025 evidencia importantes avanços na infraestrutura urbana, no acesso a serviços básicos e no conforto dos domicílios, ao mesmo tempo em que revela desafios estruturais relevantes, especialmente relacionados à segurança habitacional, à informalidade fundiária e à forte pressão demográfica sobre Manaus, que concentra grande parte do crescimento populacional do estado.