Mais empregos, mais CNPJs

Mais empregos, mais CNPJs

Por Dr. Max Cohen, economista da Fecomércio-AM

O mercado de trabalho formal do Amazonas manteve trajetória positiva em maio de 2026. O Estado encerrou o mês com 572.208 vínculos empregatícios, após registrar 24.932 admissões e 23.455 desligamentos, resultando na criação líquida de 1.477 postos de trabalho. Os dados são do CAGED. Em relação a abril, o estoque de empregos avançou aproximadamente 0,3%; na comparação com dezembro de 2025, o crescimento alcançou 1,6%, com a incorporação de mais de 9,2 mil trabalhadores ao mercado formal nos cinco primeiros meses do ano.

A expansão continua fortemente sustentada pelo comércio e pelos serviços. O segmento alcançou o recorde de 391.451 empregos formais, equivalente a 68,4% de todos os vínculos existentes no Estado. Somente em maio, foram realizadas 18.344 admissões e 17.388 demissões, produzindo saldo positivo de 956 vagas. Desde dezembro de 2025, o setor acrescentou aproximadamente 5,8 mil empregos, crescimento de 1,5%, reafirmando sua centralidade como principal gerador de ocupação e renda na economia amazonense.

A construção civil apresentou o desempenho proporcionalmente mais vigoroso percentualmente, alcançando 31.685 trabalhadores e acumulando crescimento de 5,5% desde o encerramento de 2025. A indústria chegou a 144.121 empregos, correspondentes a 25,2% do mercado formal estadual, com avanço de 1,3% no mesmo período. A agropecuária, com 4.951 vínculos, permanece abaixo do nível observado em dezembro, embora tenha registrado saldo positivo de 42 vagas em maio. O quadro revela expansão disseminada, mas ainda bastante concentrada nas atividades urbanas de comércio, serviços, indústria e construção.

A perspectiva de longo prazo reforça essa transformação. Conforme a metodologia da série apresentada, entre 2020 e 2026, comércio e serviços registraram taxa composta anual de crescimento (CAGR) de 5,20%, enquanto indústria e construção avançaram 5,12% ao ano. A agropecuária apresentou ritmo bem menor, de 1,46%. Em 2026, a velocidade de crescimento também permaneceu positiva nos principais segmentos: no comércio e nos serviços, a expansão acumulada passou de apenas 0,03% em janeiro para 1,49% em maio, com acréscimos de 0,50, 0,32, 0,40 e 0,24 ponto percentual entre fevereiro e maio. A criação de empregos continua acelerando, portanto, mas o ganho de velocidade diminuiu no último mês, sugerindo expansão gradual e menos intensa na margem.

A leitura do trabalho no Amazonas, entretanto, não pode se limitar ao CAGED. Dados da Junta Comercial do Estado mostram que o número de empresas em funcionamento, incluindo microempreendedores individuais, passou de 831.746 em dezembro de 2025 para 892.351 em 13 de julho de 2026, aumento de aproximadamente 60,6 mil registros, ou 7,3%. Comércio e serviços somavam 773.638 empresas, equivalentes a 86,7% do total. O crescimento foi contínuo em todos os levantamentos, embora sua velocidade mensal tenha diminuído de 2,19% em dezembro para 1,00% em maio, 0,75% em junho e 0,72% em julho. Há, portanto, expansão persistente do universo empresarial, mas em ritmo gradualmente mais moderado.

Esse movimento sugere que existe um contingente relevante de pessoas trabalhando fora do modelo tradicional de emprego com carteira assinada, por meio de MEI, empresa individual ou prestação de serviços como pessoa jurídica. Os dados não permitem afirmar que toda abertura de CNPJ decorra da falta de oportunidades pela CLT, pois também refletem empreendedorismo, formalização e criação de novos negócios. Ainda assim, a combinação entre crescimento mais moderado das admissões formais e expansão contínua dos registros empresariais é compatível com a reorganização das relações de trabalho. O desafio para o Amazonas não é apenas ampliar o número de ocupações, mas assegurar que o trabalho, assalariado ou realizado por CNPJ, seja acompanhado de produtividade, renda adequada, proteção social e oportunidades efetivas de desenvolvimento profissional.