Luz Amarela no Painel Econômico
Por Max Cohen, economista da Fecomércio-AM
A economia do Amazonas inicia 2026 em um ambiente de transição, marcado por sinais mistos entre resiliência estrutural e perda de dinamismo conjuntural. De um lado, observa-se expansão contínua do número de empresas, especialmente no segmento de Comércio e Serviços, que concentra 86,7% dos registros ativos na JUCEA e apresentou crescimento de 0,95% entre dezembro e janeiro. Esse movimento reforça a vocação terciária da economia estadual e indica manutenção do empreendedorismo, ainda que em um contexto mais desafiador. De outro lado, os indicadores de atividade mostram que o ritmo de crescimento perdeu força ao longo de 2025, exigindo leitura cautelosa para o curto prazo.
O comércio varejista apresenta um quadro de desaceleração gradual. Após meses de retração, novembro registrou leve alta mensal, mas insuficiente para reverter o desempenho fraco na comparação interanual e no acumulado em 12 meses. Tanto o varejo restrito quanto o ampliado seguem com crescimento modesto no ano e trajetória descendente nos indicadores de médio prazo, sinalizando consumo ainda contido. Esse comportamento reflete o impacto combinado de juros elevados, crédito seletivo e perda de poder de compra das famílias, apesar da melhora recente do sentimento do consumidor.
O setor de serviços, por sua vez, entrou em terreno mais adverso no fim de 2025. A queda expressiva em novembro, tanto na margem quanto na comparação anual, levou o acumulado do ano a uma variação negativa, confirmando reversão da trajetória de estagnação para retração. A desaceleração em 12 meses é clara e intensa, praticamente eliminando o crescimento observado até meados do ano. Esse movimento reforça a dependência do setor de condições macroeconômicas mais favoráveis e de uma recuperação mais consistente da demanda interna.
Em contraste, as atividades turísticas seguem como principal vetor positivo da economia amazonense. Apesar de uma correção pontual em novembro, o turismo mantém crescimento robusto na comparação interanual, no acumulado do ano e em 12 meses, consolidando-se como motor relevante dos serviços. A estabilidade em patamar elevado sugere normalização do ritmo de expansão, sem sinais de reversão, e aponta para oportunidades estratégicas ao longo de 2026, especialmente em segmentos ligados à hospedagem, alimentação, transporte e economia criativa.
O mercado de trabalho formal segue como importante fator de sustentação da atividade. O estoque de empregos no comércio e serviços atingiu novo recorde histórico, com crescimento consistente na margem e na comparação anual, respondendo por quase 70% dos empregos formais do Estado. Esse desempenho ajuda a explicar a melhora expressiva do Índice de Intenção de Consumo das Famílias no fim de 2025, com avanços disseminados em emprego, renda e consumo corrente. Contudo, esse impulso convive com um quadro ainda crítico de endividamento e inadimplência, que limita a capacidade de expansão do consumo, sobretudo em bens duráveis.
Do ponto de vista fiscal e monetário, os sinais também são ambíguos. A arrecadação de ICMS, em valores reais, fechou 2025 abaixo do nível do ano anterior. Para 2026, projeta-se crescimento moderado, condicionado à retomada gradual da atividade. No cenário macroeconômico nacional, a inflação encerrou 2025 abaixo do teto da meta, abrindo espaço para um ciclo lento de flexibilização monetária, ainda que a Selic permaneça elevada no curto prazo. O câmbio segue pressionado, refletindo incertezas fiscais e externas, enquanto os mercados financeiros operam em patamares recordes, sinalizando confiança seletiva dos investidores.
À luz desse conjunto de informações, o panorama geral para o início de 2026 é de cautela construtiva – mantida acesa a luz amarela para atenção. A economia do Amazonas não apresenta sinais de crise aguda, mas opera em ritmo moderado, com assimetrias relevantes entre setores. O aconselhamento estratégico aos empresários é claro: priorizar eficiência operacional, gestão rigorosa de caixa e estoques, e estratégias comerciais alinhadas ao perfil de renda e endividamento das famílias. Investimentos devem ser seletivos e graduais, com atenção especial a oportunidades ligadas ao turismo, serviços de maior valor agregado e nichos menos dependentes de crédito. Em um ambiente de transição, flexibilidade, monitoramento contínuo da demanda e disciplina financeira serão decisivos para atravessar 2026 com sustentabilidade e capacidade de adaptação.