Por Amanda Evangelista- Economista e advogada
O cenário para 2026 projeta um Brasil de transição, longe de vivenciar um ciclo de crescimento econômico saudável e sustentável, já que os indicadores apontam desaceleração gradual com projeção do PIB 1,83%, após o fechamento de 2,3% em 2025. No Amazonas, esse cenário ganha contornos mais claros. Embora a taxa Selic apresente movimento de queda para 14,75%, o crédito persiste difícil e caro.
A politica dos juros com "efeito retardado" ainda impacta nas decisões de consumir e investir. A economia não responde a cortes de taxas com a rapidez da “girada de uma chave”; os juros elevados dos últimos anos ainda são "sentidos", afetando o investimento e o fôlego das empresas.
Enquanto o consumo das famílias perde força sob o peso de um endividamento que atinge 80,2% da população, as janelas de oportunidade se deslocam para a eficiência operacional e a inteligência tributária. Dados locais mostram que o endividamento do consumidor amazonense supera a média nacional. De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) de Manaus, o número de famílias endividadas passou de 616.956 em janeiro de 2025 para 623.810 em fevereiro de 2026, pressionado pelo custo de vida elevado e dívidas em atraso.
Para o setor de comércio, bens e serviços, diante da transição para um ciclo de crescimento econômico mais moderado, a estratégia do empresariado amazonense —que lida com as particularidades geográficas da região amazônica - é adotar uma postura de planejamento intenso.
Os ciclos econômicos raramente emitem alarmes antes da mudança; eles simplesmente premiam quem se estruturou antes da crise. No ecossistema da Zona Franca de Manaus, onde as variáveis geográficas e fiscais já impõem um "custo Amazônia" natural, o futuro não pertence mais apenas aos grandes, mas aos estrategistas. Diferente do resto do Brasil, nossa economia não depende apenas de juros, mas do rio. As projeções climáticas para 2026 continuam exigindo previsibilidade logística. O custo do frete e a segurança da navegabilidade impactam diretamente o preço dos insumos que chegam e dos produtos que saem.
Estoque parado é dinheiro perdendo valor diante de um crédito que continua caro. O antídoto aqui é o giro rápido: comprar melhor para vender mais depressa, evitando a dependência de financiamentos bancários. Empresas que não se planejarem para as variações sazonais de estoque sofrerão com margens mais apertadas neste ciclo de crescimento lento.
A utilização de ferramentas para compreender o comportamento do cliente local, como softwares de gestão permite reduzir a inadimplência no crediário e focar nos produtos que têm saída, eliminando o desperdício de matéria-prima e horas extras desnecessárias. O fim do crescimento robusto serve como um alerta: o empresário amazonense deve agir para mitigar os riscos regionais.
A economia em 2026 será seletiva, assim como a teoria de Charles Darwin, não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas sim aquele empresário que melhor se adapta às mudanças do meio. A gestão técnica e a eficiência operacional é a maior barreira de defesa e vantagem competitiva, com maior gestão de estoque, mais atenção ao fluxo de caixa e menos dependência de incentivos isolados.
Na natureza, a falta de adaptação é a morte; no mercado, a falta de planejamento é a quebra. Por isso a pergunta que resta aos empresários e investidores locais é: sua estrutura está pronta para crescer com em um mercado que não aceita mais falhas?