
João Araújo, secretário executivo do Cetur/AM
A Psicologia diz que “você pode vender quase qualquer coisa para qualquer pessoa”.Quase!
Em um negócio, seja um restaurante, uma agência de viagem, ou de serviços ou qualquer outro, a estratégia deve responder ao comportamento do viajante ou do cliente.A evolução do turismo deve ter em conta a importância crescente da transição dos destinos para modelos baseados em experiências, identidade local e sustentabilidade, em vez de apenas buscar crescimento do volume, aumento do fluxo.
Apesar da pressão econômica em alguns mercados, a procura por viagens
matem-se forte, considerando instabilidades em algumas regiões do mundo, e o peso atribuído a experiencias culturais e gastronômicas continua a crescer.Para destinos e operadores turísticos, esta evolução é relevante, pois o foco desloca-se do volume de visitantes para a qualidade da experiência oferecida e para a capacidade de integrar identidade local no produto turístico.
A Europa mantém sua posição como um dos principais destinos turísticos globais contudo o fator de competitividade não está apenas no patrimônio ou nos grandes centros urbanos. Está na forma como a experiência é construída.O que se observa no mercado é uma evolução do comportamento do viajante, ou seja, mais valorização de experiências culturais, gastronômicas e locais, daí entender-se que a gastronomia assume um papel mais central na escolha de um destino.
Em paralelo cresce a importância da própria viagem como experiência e, pensando na região amazônica, percursos de barcos, trilhas, itinerários multi-municipais, rotas de bicicleta, visitas a flutuantes e, claro, integrando a gastronomia, tornam-se parte do produto turístico oferecido.
Agora, voltando à psicologia mencionada no início e pensando no marketing para um negócio ou destino, as pessoas decidem e compram primeiro com emoção, portanto a maioria das decisões de compra é emocional e as pessoas investem no resultado ou no estilo de experiência criada.
A gastronomia pode ser instigante, mas deve-se criar expectativas dentro da realidade do viajante pois, caso contrário, pode ser frustrante e colocar o produto em risco.O melhor marketing fala diretamente com as necessidades do público, do viajante, porque foi construído com pesquisa e, portanto, em vez de forçar o interesse, posicionar a oferta onde a procura já existe, é ter a certeza de sucesso na experiência.
Em um grupo de viajantes pode haver vários anseios diferentes por experiências culturais ou gastronômicas, entretanto o que deve prevalecer é o bom senso e um produto ou roteiro gastronômico bem estruturado que possa atender a todos ao mesmo tempo e em um mesmo lugar.
Entender o pensamento do grupo, com diversos tipos de anseios, aumenta as chances do serviço ser satisfatório, com garantias claras que reduzem o risco e deixam o viajante ou o cliente mais confortável para a experiência que, atendendo as expectativas, criam histórias verdadeiras de como o produto ou serviço tornou aquele momento melhor, uma lembrança inesquecível, que pode transformar vidas.
É bom lembrar que quando os viajantes enxergam claramente os benefícios e a expectativa de satisfação da experiência é atingida, o preço perde boa parte da importância, tornando esses viajantes clientes fiéis, criando relacionamentos de longo prazo, gerando mais receitas.
Para finalizar, ter um destino turístico com ofertas reais bem estruturadas, produtos diferenciados, gastronomia criativa com ingredientes “raiz”, serviços bem executados e com um marketing claro para promoção, pode reduzir a hesitação do viajante antes de decidir pela sua próxima viagem.
“O LUCRO IMEDIATO NUNCA DEVE CUSTAR SUA REPUTAÇÃO!”