Por Dr. Max Cohen, economista da Fecomércio-AM
A economia amazonense chega a junho de 2026 com sinais mistos. O setor de comércio e serviços segue como principal eixo da atividade estadual, sustentado pela abertura de empresas, pelo emprego formal e pela confiança ainda positiva das famílias. Ao mesmo tempo, indicadores recentes de comércio, serviços e turismo mostram perda de ritmo, em um ambiente nacional marcado por inflação persistente, juros elevados e crédito mais seletivo.
Em junho, a JUCEA registrava 885.977 empresas nos segmentos de comércio, serviços e indústria, incluindo MEI. Desse total, 768.088 pertenciam ao comércio e serviços, o equivalente a 86,7% das empresas registradas. O avanço de 0,75% no número de empresas do setor entre maio e junho confirma a vitalidade empreendedora local, apesar do cenário econômico mais cauteloso.
A atividade, contudo, perdeu força em abril. O varejo restrito recuou 3,6% frente a março e caiu 1,0% contra abril de 2025, com variação acumulada de apenas 0,2% no ano. O varejo ampliado também caiu no mês, com retração de 4,9%, embora ainda mantenha alta de 2,7% no acumulado de janeiro a abril. O quadro indica estabilidade com desaceleração, especialmente nos segmentos mais sensíveis ao crédito e à renda disponível. O setor de serviços apresentou deterioração mais intensa, com queda mensal de 2,0%, retração anual de 9,5% e recuo de 4,4% no acumulado do ano. O turismo também perdeu dinamismo: caiu 3,4% no mês e 10,3% na comparação anual, embora ainda acumule alta de 1,1% em 2026 e avanço de 8,9% em doze meses. Esses números sugerem acomodação após um ciclo anterior mais favorável.
Apesar da desaceleração da atividade, o mercado de trabalho segue sustentando parte importante da economia. Em abril, comércio e serviços somavam 390.524 empregos formais, com saldo positivo de 1.542 vagas no mês e participação de 68,4% no total de vínculos formais do Amazonas. Esse desempenho ajuda a explicar a manutenção do consumo em patamar relativamente favorável.
A confiança das famílias reforça esse quadro. O ICF (Índice de Confiança das Famílias, da Confederação Nacional do Comércio – CNC), relativo à Manaus, alcançou 126 pontos em maio, com alta mensal e anual, apoiado pela melhora na percepção sobre emprego, renda e perspectivas profissionais. Porém, o consumo enfrenta limites importantes: 88,8% das famílias estavam endividadas e 50,4% tinham contas em atraso. A alta inadimplência reduz o espaço para expansão sustentável da demanda, sobretudo entre famílias de menor renda.
Entre os empresários, o ICEC (Índice de Confiança dos Empresários do Comércio) permaneceu em zona de otimismo, com 113,3 pontos em maio, mas registrou queda mensal de 3,2%. As expectativas seguem positivas, especialmente em relação às próprias empresas, porém há maior cautela diante do cenário nacional. A combinação de IPCA ainda elevado, Selic em 14,25% ao ano, curva de juros pressionada e dólar em R$ 5,16 reforça a percepção de um ambiente financeiro mais restritivo no curto prazo.
Ainda assim, a economia amazonense mantém fundamentos relevantes. O PIB estadual cresceu 7,13% no primeiro trimestre de 2026 frente ao mesmo período de 2025, enquanto comércio e serviços avançaram 8,09% e representaram 46,32% do PIB estadual. Para os próximos meses, o cenário provável é de crescimento moderado, sustentado por emprego e renda, mas limitado por juros altos, endividamento e inflação. A recomendação aos empresários é atuar com disciplina: controlar custos, proteger margens, gerir estoques com cautela, preservar caixa e usar inteligência de mercado para identificar nichos de demanda mais resilientes.