Conectiviade aérea na amazônia

Conectiviade aérea na amazônia

Por João Araújo, secretário executivo do Cetur/AM

Este tema foi apresentado no Painel do VAI TURISMO, coordenado pelo Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade – CETUR da FECOMERCIO-AM, durante a SEMANA S, promovido em escala nacional pela CNC, Federações do Comércio, SESC, SENAC e Sindicatos Empresariais.A apresentação foi realizada pela Sra. Clarissa de Barros, Diretora do Ministério dos Portos e Aeroportos, que explanou de forma magistral com informações importantes sobre o que hoje acontece na aviação comercial brasileira e que merece atenção especial para o capítulo Região Amazônica / Norte, tão vasta quanto quase totalmente isolada pela ausência de rotas aéreas que integrem os nove estados que a compõe e estes às demais regiões do país.

É necessário um olhar diferenciado para o Amazonas e a Região Amazônica brasileira, que concentra a maior parte da região da Amazônia natural, onde a carência de conectividade aérea inviabiliza a mobilidade entre as grandes distâncias, a qualidade de vida do homem amazônida e o desenvolvimento estratégico da região, sendo imperativo a criação de um hub de conexão entre a região e os demais estados brasileiros e destinos internacionais.É necessário “integrar para não entregar”.

Este slogan foi estampado nas manchetes nos jornais e entrevistas dos trinta e dois estudantes e dois professores universitários, à época da Universidade do Estado da Guanabara que, em julho de 1967, seguiram do Rio de Janeiro para o então Território Federal de Rondônia, para uma expedição de vinte e oito dias, onde realizaram trabalhos de levantamento, pesquisa e assistência médica e, ao retornarem, sugeriram que a iniciativa fosse chamada de “PROJETO RONDON”, inspirados no trabalho do Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon e, em 1975 foi transformado em Fundação Projeto Rondon.

Antes, porém, em 1957 foi criada a Zona Franca de Manaus – ZFM com regulamentação definitiva em 1967, visando o desenvolvimento industrial, comercial e agropecuário da Amazônia Ocidental. A ideia de criar um Porto Franco em Manaus surgiu em 1951, quando o Deputado Francisco Pereira da Silva apresentou um Projeto de Lei, sendo efetivado em 1957, estabelecendo a ZFM como um porto livre para armazenamento e beneficiamento de produtos provenientes do exterior.Inicialmente a ZFM tinha como objetivo facilitar o comércio e a movimentação de mercadorias promovendo a integração da região amazônica ao restante do país.Entretanto, em 1967 o modelo anterior foi reformulado e definiu incentivos fiscais por trinta anos (prazo prorrogado até 2073) para estimular a instalação de indústrias e o desenvolvimento socioeconômico da região.

Em 1976 foi então entregue o Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, projetado para ser moderno, funcional e estratégico, com foco tanto para atender ao crescimento constante do fluxo no transporte de passageiros quanto no escoamento de cargas industriais e de mercadorias, com a consolidação industrial e comercial do Polo Industrial de Manaus – PIM, determinante para o fortalecimento do aeroporto como hub logístico, o que o tornou no maior aeroporto cargueiro do Brasil e o terceiro da América Latina em volume de cargas,

Todo esse preâmbulo histórico é para evidenciar a importância estratégica do Amazonas e da integração da região amazônica e promover sua conectividade com malha aérea eficiente, acessível e competitiva, tanto nacional quanto internacional.Sem conectividade, destinos ficam isolados, investimentos são desestimulados e milhões de brasileiros e potenciais turistas internacionais deixam de ter acesso às oportunidades que o turismo pode proporcionar.

Fortalecer políticas públicas que incentivem a aviação regional e ampliem o acesso da população ao transporte aéreo é uma ação que dever ser abraçada pelos entes públicos de todas as esferas com participação do trade turístico amazônico, unindo forças, procurando viabilizar vantagens competitivas estaduais, flexibilizando a carga tributária elevada, barateando a operação das companhias aéreas, possibilitando apoio à diminuição do custo operacional e fomentando a modernização da infraestrutura aeroportuária.

Especificamente, o Turismo na Amazônia é o grande impactado com a conectividade deficitária pois atinge toda a cadeia produtiva do segmento, desde o transporte até hotelaria, alimentação, comércio e serviços, inviabilizando a mobilidade e acessibilidade aos destinos turísticos da região.Portanto, mãos à obra, pois ainda temos muito o que fazer!