Bolsas e auxílios sociais sem porta de saída, artifícios que corroem o crescimento brasileiro

Bolsas e auxílios sociais sem porta de saída, artifícios que corroem o crescimento brasileiro

Por Osíris M. Araújo da Silva – economista

Os números dos principais programas de bolsas e auxílios sociais no Brasil variam mensalmente, mas apresentam uma estrutura consolidada desde o início de 2025. Em suma, os dados aproximados mais recentes (janeiro/fevereiro de 2025) são os seguintes:

● Bolsa Família: Cerca de 20,7 a 20,8 milhões de famílias beneficiadas em janeiro de 2025, com um valor médio por família próximo a R$ 680,00.

● Auxílio Gás: Aproximadamente 5,5 milhões de famílias recebem o benefício, que é pago bimestralmente junto com o Bolsa Família.

● Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAS): Mais de 6 milhões de pessoas (idosos e pessoas com deficiência de baixa renda) recebem o benefício de um salário mínimo, número que tem apresentado crescimento.

● Pé-de-Meia (Poupança do Ensino Médio): Mais de 3,7 milhões de estudantes matriculados no ensino médio público já foram beneficiados ou estão em fase de inclusão no programa.

No que se relaciona aos exercícios de 2025-2026, relatórios do governo indicam um alto número de beneficiários, com 48 milhões de pessoas no programa em contraste com 39 milhões de trabalhadores CLT no setor privado, evidenciando o papel do Bolsa Família como rede de segurança em um mercado de trabalho com alta informalidade. No entanto, estudos da FGV mostram que mais de 90% dos empregos formais criados entre 2023 e 2024 foram ocupados por inscritos no CadÚnico.

O Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) é um instrumento do Governo Federal brasileiro utilizado para identificar e mapear as famílias de baixa renda no país. Ele funciona como uma grande base de dados que permite ao governo conhecer a realidade socioeconômica de populações vulneráveis e, assim, facilitar o acesso a diversos programas e benefícios sociais. Em resumo, o CadÚnico tornou-se o principal meio de acesso para programas como Bolsa Família, Tarifa Social de Energia Elétrica, Minha Casa Minha Vida, Auxílio Gás, Carteira do Idoso, entre outros; permite que o governo saiba quem são e como vivem as famílias que mais precisam de apoio e ajuda na criação de políticas públicas voltadas para a melhoria da qualidade de vida.

De acordo com a FGV e o IBGE, dadas as facilidades de acesso ao programa, ajustado a interesses eleitoreiros, o país chegou a um marco preocupante: há mais brasileiros vivendo de auxílio do governo Lula do que trabalhando com carteira assinada. Para fechar essa conta, o caminho escolhido pelo Lula tem sido criar e aumentar impostos. A assistência social sem crescimento econômico se transforma em uma conta eterna paga pelo contribuinte.

Inadimplência da população adulta

A despeito dessas benesses, o Brasil terminou 2025 com 81,2 milhões de pessoas inadimplentes, o equivalente a 49,7% da população adulta, segundo o Mapa da Inadimplência e Renegociação de Dívidas da Serasa. O volume total de dívidas ativas chegou a R$ 518 bilhões, patamar que mantém a inadimplência acima dos níveis observados antes da pandemia e reforça os desafios estruturais do crédito ao consumidor no país. O levantamento mostra que cada inadimplente acumulava, em média, R$ 6.382 em dívidas, distribuídas em quatro compromissos financeiros, com valor médio de R$ 1.593 por dívida. Os números indicam que o problema não está concentrado em atrasos pontuais, mas no acúmulo de parcelamentos ao longo do tempo, muitas vezes com a combinação de diferentes modalidades de crédito.

A composição das dívidas ajuda a explicar o cenário. Bancos e cartões de crédito respondem por 26,1% do total, seguidos por contas básicas, como água, luz e gás (22,1%), e por financeiras, que concentram 19,6% das pendências. O dado reforça que o endividamento atinge tanto o consumo quanto as despesas essenciais do orçamento familiar. Análise da Top One Financeira, de Curitiba, uma das principais financeiras regionais especializadas em crédito no ponto de venda e especialista em análise de risco, aponta que os números são preocupantes e exigem maior responsabilidade na concessão de crédito. Quando o endividamento se torna estrutural, o crédito deixa de impulsionar vendas e passa a travar o crescimento. Por isso, as empresas precisam ser cada vez mais criteriosas na liberação do crédito e avaliar a capacidade real de pagamento para evitar comprometer ainda mais o orçamento das famílias, salienta o documento.