Artigo - Turismo em 2026 - Consolidação de tendências

Artigo - Turismo em 2026 - Consolidação de tendências

Por João Araújo - secretário executivo do Cetur/AM

Pouco antes de 2025 findar, foram divulgados dados sobre a quantidade de turistas que visitaram o Estado do Amazonas e o Brasil, elevando a autoestima do segmento local e nacional, na esperança de que em 2026, os números sejam ultrapassados ou, pelo menos, igualados. Embora a notícia de quase 10 milhões de turistas que visitaram o Brasil tenha chegado com um atraso de vinte e dois anos (a promessa foi de atingimento dessa meta até 2010, após a criação do Ministério do Turismo, em 2003), pode-se dizer que há uma expectativa positiva para um novo avanço do segmento.

Claro que todo um cenário atual deve ser analisado, não bastando somente o destino turístico “querer” que aconteça mas estratégias devem ser modificadas e implantadas levando-se em consideração a economia mundial, o fluxo de turistas pelo mundo, os novos perfis dos viajantes, as novas modalidades de turismo, conflitos ao redor do mundo, logística aérea, custo dos serviços, competitividade dos destinos turísticos, infraestrutura oferecida, qualidade de atendimento e capacitação de mão-de-obra e demais fatores que podem influenciar a escolha da experiência que os viajantes querem aproveitar.

Nesse contexto, o turismo brasileiro em 2026 tende a se alinhar às grandes tendências globais: busca por experiências autênticas e transformadoras; sustentabilidade em destinos que promovam preservação ambiental e impacto positivos em comunidades; individualidade e personificação / customização de roteiros, que reflitam afetos e interesses pessoais; turismo de nichos e reconexão com a natureza, como astrologia, viagens de autodescoberta e pescaria que aparecem como tendências emergentes.

A Amazônia desponta como protagonista, que pode atrair viajantes interessados em ecoturismo, turismo científico e vivências culturais com comunidades locais, experiências gastronômicas afetivas e de raiz, relaxamento e contatos com a real possibilidade de criar memórias inesquecíveis. Portanto, os agentes e empresários do Amazonas devem inovar e, se preciso, reinventar seus negócios para oferecer produtos e serviços que atraiam os desejos dos viajantes e que possam criar vínculos de relacionamento.

Na 10ª. edição da pesquisa Previsão de Viagens, realizada pela Booking.com, realizada com 29 mil pessoas em 33 países e territórios, que planejam viajar em até dois anos, “a individualidade está no centro das decisões, quando os viajantes querem experiências que conversem com seus afetos, ritmos, manias, fantasias e até inseguranças”. No Brasil, as respostas revelam um “viajante curioso, experimental e muito guiado por sensações”. As tendências vão do escapismo literário às casas automatizadas, passando pela gastronomia afetiva, pela busca por silêncio e por viagens que testam relacionamentos

Além da busca em sites especializados de turismo, páginas institucionais de destinos turísticos e demais plataformas de pesquisas online, a IA será uma grande aliada dos viajantes, que pode influenciar a escolha do destino a partir de recomendações sobre hospedagens, locais, experiências imersivas em retiros temáticos, conforto sem complicações em casas automatizadas ou em hotéis que ofereçam tecnologia aliada à experiências inesquecíveis.

Entre os viajantes da Geração Z, viagens que geram afinidade e conhecimento do parceiro de viagem e que entreguem autoconhecimento e relacionamento interpessoal, ganha força e é um novo nicho a ser explorado.

A economia criativa e o artesanato agregado às lembranças da viagem que tenham como finalidade a experiência gastronômica, experimentando novos sabores e que perdurem na memória efetiva do local visitado, ganha cada vez mais força e adeptos entre as tendências para os próximos anos. Como exemplo, um souvenir como o Prato da Boa Lembrança, onde restaurantes oferecem a oportunidade do visitante adquirir um prato customizado da comida experimentada, lembrando não somente a experiência em saborear uma comida típica, mas o restaurante e o destino turísticos visitado, o que consolida a força da gastronomia como eixo de decisão.

Voltando os olhares para o cenário local, o Amazonas é um dos destinos brasileiros em ascensão, com natureza exuberante oferecendo conexão direta com a floresta, autenticidade cultural e de povos tradicionais, gastronomia singular, eventos, turismo de aventura, hospedagem em hotelaria de floresta, turismo científico e arqueológico, turismo de base comunitária valorizando saberes tradicionais e artesanato, resorts e cruzeiros fluviais que oferecem conforto aliado à preservação ambiental e sustentabilidade.

Entretanto, existem gargalos que devem ser levados em consideração como infraestrutura limitada em alguns municípios, acessibilidade, turismo predatório, riscos climáticos (como as grandes secas e grandes cheias), qualificação de mão de obra, capacitação das equipes, dentre outros. Há também as oportunidades que devem ser abraçadas como posicionar o Amazonas como destino nacional de ecoturismo premium e, aproveitando esse gancho, promover a Amazônia como destino global de ecoturismo onde o Amazonas desponta no contexto de maior estado da Amazônia natural; atrair investimentos em turismo sustentável e fortalecer as comunidades locais pelo incentivo ao turismo de base comunitária.

Para fortalecer o segmento do turismo no Amazonas, dois fatos aconteceram em 2025 que passam a ser fundamentais para ações estratégicas em conjunto com os órgãos oficiais de turismo: a implantação do Conselho Empresarial de Turismo e Hospitalidade da Federação do Comercio de Bens, Serviços e Turismo do Amazonas – FECOMERCIO-AM, órgão de assessoria da CNC e CETUR Nacional e a reativação do Amazonas Convention & Visitors Bureau – ACVB, entidade privada que tem como principal finalidade promover o Turismo empresarial e captar a realização de eventos no Estado.

Desejamos a todos os parceiros do segmento do Turismo, um 2026 promissor, com conquistas e sucesso. Feliz Novo Ano.