Por Osíris M. Araújo da Silva – Economista
As notícias não são lá muito boas. Começando pela inadimplência recorde no Brasil em 2025 que deverá impactar negativamente as vendas de Natal. O comerciante deve estar preparado para um consumo mais cauteloso e, provavelmente, vendas aquém do potencial, com consumidores priorizando o pagamento de dívidas. Algumas razões desse cenário residem em a) Redução do Poder de Compra do consumidor: Os brasileiros ficaram mais endividados em outubro, segundo a Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor), da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) a proporção de famílias com dívidas subiu a 79,5% em outubro, maior patamar da série histórica iniciada em 2010.
Com quase 80% das famílias endividadas e mais de 71 milhões de brasileiros com o nome negativado, o poder de compra da população está severamente comprometido, no mês de novembro fundo, o número de consumidores negativados no Brasil ultrapassa 76 milhões, segundo a Serasa Experian, enquanto a CNDL e o SPC Brasil indicam 71,86 milhões de consumidores com dívidas atrasadas, representando cerca de 43,1% da população adulta. Esses dados refletem um cenário de inadimplência em níveis recordes no país. O que significa a) menos dinheiro disponível para compras não essenciais, como presentes de Natal; b) O cenário de incerteza econômica, inflação e juros altos leva os consumidores a serem mais cautelosos em seus gastos, limitando o consumo futuro.
A fatia de famílias inadimplentes se manteve em outubro no ápice histórico de 30,5% já alcançado em setembro. Além disso, houve um recorde de 13,2% das famílias brasileiras afirmando que não terão condições de pagar suas dívidas em atraso, ou seja, que permanecerão inadimplentes. Segundo a CNC, o resultado da pesquisa sugere impactos nas vendas do comércio para a Black Friday e o Natal. "O avanço no endividamento, na inadimplência e na percepção de insuficiência financeira simultaneamente e pelo terceiro mês seguido é um alerta para a necessidade de ajustes, principalmente na área fiscal, para que os resultados de 2025 não se repitam ou se agravem ainda mais em 2026", avaliou o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, em nota.
"Nem mesmo o bom momento do mercado de trabalho tem sido suficiente para conter o avanço na inadimplência, tamanho o patamar atual dos juros. Nesse cenário, o comércio já sente desaceleração das vendas, uma vez que as famílias se veem obrigadas a promover ajustes no orçamento para se adaptar a essa realidade", aponta nota da CNC, por meio da qual a entidade projeta que o endividamento aumente em 3,3 pontos porcentuais até o fim deste ano em relação ao patamar que encerrou 2024, enquanto a inadimplência subiria 1,5 ponto porcentual. Por outro lado. Consequentemente, a prioridade das famílias passa a ser a renegociação de dívidas e a manutenção das contas em dia. Daí o foco em itens essenciais que levam em que a decisão de compra se centram em produtos essenciais, como alimentos, em detrimento de bens duráveis ou presentes mais caros.
Diante do cenário, os estudos da CNC concluem que embora haja uma projeção de crescimento modesto nas vendas de Natal (em torno de 1,3%) o avanço é freado pelos fatores macroeconômicos desfavoráveis, como os juros elevados (taxa Selic em 15% ao ano). Em resumo, o Natal de 2025 será marcado pela prudência financeira. O varejo sentirá os efeitos diretos da dificuldade que grande parte da população enfrenta para sair do vermelho, resultando em um desempenho de vendas abaixo do que poderia ser alcançado em um cenário econômico mais favorável. A despeito do quadro de incertezas, o setor, entretanto, segundo as mesmas projeções da CNC, deve receber volume recorde de R$ 5,4 bilhões com a Black Friday deste ano, temporada de compras que terá como marco a sexta-feira da próxima semana (28). A projeção prevê um crescimento de 2,4% em comparação com o ano passado (R$ 5,27 bilhões), já descontada a inflação do período.