Artigo - E o comércio, como vai?

Artigo - E o comércio, como vai?

Por Francisco Braz da Silva Portela - Superintendente do IBGE no Amazonas

Depois de fechar 2025 com um crescimento de 4,8%, as vendas do comércio amazonense entraram numa descendente a partir de janeiro deste ano. A Pesquisa Mensal do Comércio - PMC, que mensalmente coleta informações em 250 estabelecimentos, não traz boas notícias nas suas principais variáveis divulgadas:

Na variação mensal ajustada sazonalmente, que mede o fôlego de curto prazo do comércio. A comparação mês atual com mês anterior, apresentou grande volatilidade entre setembro de 2024 (1,8%) e agosto de 2025 (−0,3%). O pico de crescimento foi em fevereiro de 2025 com 4,0%, seguido pela maior queda em março de 2025 com −5,6%. A série termina em queda de 0,3% em agosto de 2025, o que, junto com a alta volatilidade (como a queda de −5,2% em dezembro de 2024 e o crescimento de 3,8% em janeiro de 2025), sugere um ambiente de vendas instável e sem tendência clara de recuperação no curto prazo.

Já o indicador interanual que mede a variação mês/mesmo mês do ano anterior, demonstra um forte início de período (um ano atrás), com o pico em novembro de 2024 atingindo 8,2%. No entanto, a série mostra uma clara desaceleração, com a taxa de crescimento a cair de 7,3% em setembro de 2024 para atingir o seu valor mínimo em março de 2025 com −1,8%. Apesar de uma recuperação parcial nos meses seguintes, o valor final em agosto de 2025 é negativo (−0,1%), o que aponta para uma retração no volume de vendas em relação a agosto do ano anterior, indicando uma inversão do crescimento observado no final de 2024.

Analisando a variação acumulada no ano, em relação ao mesmo período do ano anterior. O acumulado do ano até agosto 2025, apresenta um crescimento de 1,6%. Apesar do ritmo de crescimento ter diminuído consistentemente nos últimos meses (2,2% em maio; 2,0% em junho; 1,8% em julho), o setor ainda acumula resultados positivos de 1,6% no ano, com forte tendência de queda para os próximos meses.

Na variação acumulada em 12 meses, o indicador de longo prazo inicia em 4,0% em setembro de 2024 e sobe para o pico em novembro de 2024 com 5,1%. A partir de novembro de 2024, a série entra em um período de desaceleração gradual, mas persistente, com a taxa caindo a cada mês até terminar em 2,8% em agosto de 2025, que também é o seu valor mínimo no período analisado. Isto sugere que o crescimento do volume de vendas em um horizonte anual está perdendo força ao longo do tempo, indicando um cenário menos otimista para o futuro imediato, onde a média móvel trimestral de agosto chegou a -0,06%, o que reforça o pessimismo a curto prazo.

Os especialistas indicam os juros altos e o endividamento como principais fatores que travam as compras. Fatores estes que atingem tanto o consumidor quanto o comércio. Afetando inclusive a confiança do mercado e dos empresários. Assim, o pessimismo dos varejistas em relação à economia futura e às perspectivas de vendas nos próximos meses travam novos investimentos, seja na ampliação dos negócios ou na aquisição de mercadorias.

As estatísticas da PMC aguardam os resultados de setembro a dezembro. Se, nos próximos meses não houver melhora nas vendas, há forte tendência de o fechamento anual ser negativo. Algo que não acontece desde 2021, ano da pandemia do COVID-19.