Por Dr. Max Cohen, economista da Fecomércio-AM
O mercado de trabalho no Amazonas encerra outubro de 2025 em um dos momentos mais sólidos da sua trajetória recente. Os dados do CAGED indicam que o estado alcançou 574.167 empregos formais , o maior patamar desde o início da década. O setor de Comércio e Serviços , responsável por 392.778 empregos , mantém posição dominante e representa 68,4% da força de trabalho formal , consolidando-se como o eixo central da atividade econômica regional. O crescimento contínuo deste setor tem sustentado a expansão do mercado interno e demonstrado resiliência frente às oscilações macroeconômicas nacionais.
O mês de outubro, no total, registrou 25.172 admissões e 23.974 desligamentos , resultando em um saldo positivo de 1.198 vagas . Embora o ritmo de crescimento seja moderado, a consistência da trajetória ascendente ao longo de 2025 é o principal destaque. Apenas no segmento de Comércio e Serviços, foram criadas 1.259 novas vagas no mês, reforçando o papel deste setor como motor de estabilidade e expansão gradual, fenômeno que se mantém desde a retomada pós-pandemia. Trata-se de uma base econômica madura, que ainda assim segue gerando empregos em ritmo firme.
A indústria do Amazonas também apresenta sinais concretos de fortalecimento. O setor, que responde por 25,2% dos empregos formais do estado , registrou saldo positivo de 247 vagas em outubro e mantém trajetória de recuperação iniciada em 2024. No comparativo anual, o crescimento de 5,46% evidencia que as cadeias produtivas do Polo Industrial de Manaus ganharam estabilidade, com melhora nos níveis de produção e reorganização das linhas industriais. Em um ambiente historicamente sujeito a custos logísticos e desafios regulatórios, esse avanço indica um ciclo produtivo mais robusto.
Um dos elementos mais relevantes da análise estrutural é a diferença — e ao mesmo tempo a convergência — entre o crescimento do setor terciário e o avanço da indústria. Entre 2020 e 2025, Comércio e Serviços apresentou um CAGR (taxa de crescimento anual) de 6,35% , enquanto a Indústria registrou 6,23% . A proximidade entre esses indicadores revela um fenômeno raro: os dois principais pilares da economia amazonense cresceram praticamente à mesma velocidade ao longo de cinco anos. O comércio amplia sua liderança a partir de uma base muito maior, enquanto a indústria avança proporcionalmente no mesmo ritmo, reforçando a capacidade produtiva do estado. Em termos estruturais, isso indica que a economia se expandiu de maneira equilibrada, sustentada tanto pelo consumo quanto pela produção.
As variações anuais reforçam essa leitura de fortalecimento simultâneo. Na comparação entre outubro de 2024 e outubro de 2025, os setores exibem crescimento consistente: 3,34% em Comércio e Serviços e 5,46% na Indústria . Essa dinâmica favorece o ambiente de negócios, aumenta a confiança empresarial, estimula investimentos e gera efeitos multiplicadores sobre renda, consumo e produtividade. A complementaridade entre setores urbanos e produtivos torna a economia menos vulnerável a choques e mais preparada para sustentar ciclos de expansão no médio prazo.
No conjunto, os números de 2025 revelam um mercado de trabalho mais resiliente, diversificado e com bases estruturais fortalecidas . A força do setor de Comércio e Serviços garante estabilidade e volume, enquanto a indústria demonstra vigor renovado e tendência de crescimento sustentado, como evidencia seu CAGR quase idêntico ao do setor terciário. Com fundamentos sólidos e um mercado de trabalho em expansão contínua, o Amazonas encerra o ano com perspectivas positivas para 2026, apoiado em uma economia que cresce de maneira equilibrada, distribuída e voltada para novos ciclos de desenvolvimento. Resta agora termos, no ambiente macroeconômico, uma política fiscal que colabore com os nossos dois motores que estão em sincronia.