Artigo - Dívidas crescentes no Amazonas desafiam comércio e economias familiares

Artigo - Dívidas crescentes no Amazonas desafiam comércio e economias familiares

Amanda Carla Evangelista - Advogada e Economista

O aumento do número de inadimplentes no Amazonas nesse segundo semestre, atingiu 1,6 milhão de pessoas, reflexo de uma crise financeira que vai além do orçamento doméstico. Dados da Serasa mostram que 55,13% da população do estado está inadimplente, com Manaus representando 70% desse total. Somente na capital, mais de 1,1 milhão de pessoas estão com o nome negativado, e quase 500 mil delas possuem dívidas com bancos.

O impacto da inadimplência não se limita às famílias que enfrentam dificuldades para pagar suas contas. O comércio local também sofre com a falta de dinheiro em circulação, quando grande parte da população está endividada, há uma redução direta no consumo. Isso cria uma reação em cadeia que afeta os negócios e trava a economia, como queda nas vendas, demissões para redução de custos, corte de investimentos, e dificuldades para acessar crédito.

Enquanto feirões de renegociação de dívidas, como os organizados pelo Serasa, surgem como ferramentas que prometem alívio financeiro para consumidores, a realidade mostra que a inadimplência persiste. A alta dos juros e a falta de planejamento financeiro impedem que a população encerre o ciclo das dívidas, atrasando também a recuperação do comércio, que sofre com a retração do consumo.

Muitos consumidores renegociam dívidas, mas acabam contraindo novas por falta de organização ou imprevistos financeiros. Com o aumento do custo de vida e a perda de fontes de renda, mesmo as condições facilitadas oferecidas nos feirões tornam-se inviáveis para parte da população, além do mais, mesmo com a renegociação, as taxas cobradas ainda são um peso significativo no orçamento das famílias.

Para além de iniciativas como feirões de renegociação, há necessidade de implementação de programas sólidos de educação financeira para ajudar a população a administrar suas finanças. A medida é crucial para interromper o ciclo de dívidas e contribuir para a retomada econômica do comércio local.

A solução passa por aprender a diferenciar crédito saudável de crédito predatório, compreender a importância do planejamento financeiro e adotar práticas como: criar e manter um orçamento familiar; abandonar o uso rotineiro de linhas de crédito caras, como cheque especial e rotativo de cartão; buscar renegociação estratégica das dívidas, priorizando aquelas com maiores juros.

Enquanto o acesso ao crédito permanecer uma opção desafiadora para muitos, a saída reside em um tripé essencial: educação, renegociação e criação de alternativas viáveis de financiamento. É diante desse cenário que tanto consumidores quanto empresas poderão caminhar em direção a uma economia mais equilibrada, onde o crédito se torna um aliado do crescimento, e não uma armadilha do endividamento contínuo.