Dr. Max Cohen, economista da Fecomércio AM.
A economia do Amazonas, em setembro de 2025, apresenta um quadro de relativa estabilidade, mas permeado por desafios estruturais e conjunturais que afetam diretamente o setor do comércio e serviços, principal motor do PIB estadual. O faturamento acumulado até maio alcançou R$134,98 bilhões, um resultado expressivo que sinaliza resiliência frente ao cenário nacional de juros elevados e inflação pressionada. Ao mesmo tempo, observa-se que a arrecadação de ICMS vem registrando quedas sucessivas, com previsão de encerrar 2025 em retração de -3% em relação ao ano anterior, o que indica um consumo mais seletivo e margens mais comprimidas para os empresários.
As pesquisas do IBGE mostram uma dinâmica mista: enquanto o comércio varejista ampliado mantém crescimento consistente no acumulado de 12 meses (+5,3%), o setor de serviços apresentou retração em julho (-3,5% frente a junho). O turismo, por sua vez, ainda que tenha sofrido queda pontual, sustenta taxas robustas no acumulado do ano (+10,9%), consolidando-se como vetor estratégico para diversificação da economia local. Esse comportamento evidencia que o consumo das famílias mantém um ritmo positivo, mas com maior cautela, refletindo a elevação do endividamento.
Do lado da confiança, tanto empresários quanto consumidores demonstram sinais de retração. O ICEC (Índice de Confiança do Empresário do Comércio) e o ICF (Índice de Intenção de Consumo das Famílias) recuaram em agosto, acompanhados por uma escalada preocupante da inadimplência: 86,5% das famílias amazonenses estão endividadas. Esse contexto limita a capacidade de expansão do consumo e pressiona o fluxo de caixa das empresas, exigindo maior atenção à gestão financeira e à segmentação de mercado.
No cenário macroeconômico, a taxa Selic de 15% ao ano continua representando um entrave para o crédito e os investimentos, mesmo com expectativa de estabilidade no curto prazo. A inflação, ainda acima da meta do Banco Central (5,13% em 12 meses), reforça a postura conservadora da política monetária. O câmbio, por sua vez, deve se manter volátil, com dólar projetado em torno de R$5,90 até o fim de 2025, o que impacta diretamente os custos das importações, mas ao mesmo tempo favorece atividades voltadas à exportação e ao turismo internacional.
Apesar dos desafios, os indicadores de emprego formal no Amazonas sinalizam vigor: o estoque de postos de trabalho no comércio e serviços atingiu novo recorde (387,4 mil vínculos), com crescimento consistente de 4% em um ano. Esse dinamismo reforça a importância do setor para a economia estadual, representando 68,4% do total de empregos formais. O avanço do PIB do comércio e serviços (+7,29% no 2º trimestre) confirma o protagonismo dessa atividade na sustentação do crescimento econômico do estado.
Aconselhamento estratégico : diante desse cenário, recomenda-se que os empresários do Amazonas adotem uma postura de cautela, mas também de visão estratégica. A diversificação de portfólio, a digitalização dos canais de venda e a busca por maior eficiência operacional são caminhos fundamentais para enfrentar o ambiente de juros altos e consumo pressionado. Setores ligados ao turismo, serviços especializados e comércio de nicho apresentam boas oportunidades, sobretudo com a valorização do câmbio favorável à atração de visitantes estrangeiros. Em paralelo, será essencial reforçar práticas de gestão de crédito e relacionamento com clientes, mitigando riscos de inadimplência e fortalecendo a competitividade no médio prazo.