Artigo - 78% dos Amazonenses Endividados: Saiba Como Recuperar o Controle Financeiro

Artigo - 78% dos Amazonenses Endividados: Saiba Como Recuperar o Controle Financeiro

Por Amanda Evangelista - Advogada e Economista

O endividamento é uma realidade que pesa no bolso de grande parte das famílias amazonenses. Dados da Fecomércio-AM mostram que 78% das famílias do estado estão endividadas, especialmente devido a cartões de crédito e financiamentos. Com a taxa Selic mantida em 15% pelo Copom, o acesso ao crédito continua caro, e os juros elevados tornam o pagamento dessas dívidas ainda mais desafiador. Para piorar, o custo da cesta básica na Capital está R$ 629,39, segundo o Dieese, pressionando o orçamento familiar e dificultando a vida de quem já se encontra no vermelho.

Um dos maiores problemas na região é a logística precária, que impacta diretamente o bolso da população. Sem uma malha rodoviária que conecte o Amazonas ao restante do país, bens de consumo chegam por barcos ou aviões, o que eleva seus preços consideravelmente. Ao mesmo tempo, essa limitação prejudica o escoamento da produção local, tirando competitividade dos produtores da região e criando uma dupla penalização: o consumidor paga mais caro pelos produtos e o produtor perde oportunidades econômicas. A demora em resolver esse impasse por parte das autoridades públicas perpetua dificuldades econômicas para toda a população.

Apesar desse cenário adverso, é possível retomar o controle financeiro e começar 2026 com mais tranquilidade e estabilidade. O primeiro passo essencial é listar e monitorar as despesas mensalmente, incluindo empréstimos, cartões de crédito e contas atrasadas. No Amazonas, contas de energia, influenciadas pelo uso constante de ar-condicionado devido ao calor intenso, frequentemente ultrapassam R$ 300 a R$ 500 por mês. Somado a isso, transporte público e combustível consomem, em média, R$ 350 mensais. Anotar os gastos e separá-los em categorias — essenciais, supérfluos e emergenciais — ajuda a identificar os maiores vilões do orçamento e liberar recursos para quitar dívidas.

Renegociação de dívidas deve ser uma prioridade, é uma das estratégias mais eficazes para aliviar encargos. Cartões de crédito, com juros médios de 437,8% ao ano, e cheque especial, com 130% ao ano, são os maiores responsáveis por criar verdadeiras bolas de neve financeiras. Negociar diretamente com credores ou participar de feirões de renegociação é uma ótima solução para quem busca descontos que podem chegar a 70% no pagamento à vista.

Outra estratégia valiosa para sair das dívidas é buscar renda extra aproveitando a riqueza cultural e os produtos regionais. Mais do que pagar dívidas, essa estratégia pode até abrir novas portas para um futuro financeiro mais saudável. Para equilibrar as contas, também é necessário reformular hábitos diários. Substituir atividades de lazer caras, como idas frequentes a restaurantes e shoppings, por alternativas gratuitas ou de baixo custo, que reduz despesas sem abrir mão de momentos de qualidade com a família.

Após sair do vermelho, o objetivo deve ser a proteção contra imprevistos, é estratégico começar a formar um fundo de emergência com o equivalente a 3 a 6 meses de despesas mensais. Reservar pequenas quantias mensalmente, por menor que seja o valor, pode fazer uma grande diferença ao criar uma proteção contra imprevistos como aumentos no custo de alimentos ou momentos de instabilidade econômica.

No atual cenário de juros elevados no Brasil, decisões financeiras conscientes são mais importantes do que nunca. Organizar gastos, renegociar débitos e investir em conhecimento sobre finanças pessoais são passos fundamentais para transformar dificuldades em oportunidades de crescimento em 2026. Mais do que um alívio imediato, sair do endividamento é um convite para redefinir prioridades, resgatar a tranquilidade e, acima de tudo, construir um futuro com mais liberdade financeira.