Por Francisco Braz da Silva Portela - Superintendente do IBGE no Amazonas
O Amazonas registrou queda na taxa de analfabetismo e chegou a 4,3% da população de 15 anos ou mais em 2025, abaixo da média nacional de 4,9%, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do IBGE. O resultado coloca o estado na 15ª posição entre as unidades da federação e confirma a tendência de redução observada nos últimos anos.
Em 2016, o índice era de 6,6%, o que representa uma queda significativa no período. A melhora é percebida em diferentes faixas etárias, indicando avanços no acesso à educação e na alfabetização da população. Entre pessoas de 25 anos ou mais, por exemplo, a taxa recuou de 8,7% para 5,4% ao longo da série histórica.
Apesar do cenário positivo, o analfabetismo ainda apresenta desigualdades importantes. O índice é ligeiramente maior entre mulheres (4,4%) do que entre homens (4,2%) e aumenta consideravelmente com o avanço da idade. Entre idosos com 60 anos ou mais, a taxa chega a 15,2%, evidenciando desafios históricos no acesso à educação para gerações mais antigas. Além disso, no grupo de idosos, a diferença entre os gêneros é mais expressiva: 16,8% das mulheres não são alfabetizadas, contra 13,2% dos homens. O dado reforça a necessidade de políticas públicas específicas voltadas a esse público.
Na Região Norte, o Amazonas apresenta desempenho intermediário. Roraima possui o menor índice (3,4%), enquanto o Acre registra a maior taxa (8,9%). O estado também fica abaixo de Amapá (4,5%) e próximo do patamar regional, ainda impactado por estados com índices mais elevados. Em números absolutos, o total de pessoas não alfabetizadas no Amazonas caiu de 173 mil em 2016 para 135 mil em 2025. A redução é observada em praticamente todas as faixas etárias. No entanto, entre idosos, houve crescimento, passando de 60 mil para 68 mil pessoas, reflexo do envelhecimento populacional e de limitações históricas no acesso à escolarização.
No cenário nacional, as menores taxas de analfabetismo concentram-se nas regiões Sul e Sudeste, com destaque para Santa Catarina (1,5%), Rio de Janeiro (1,6%) e São Paulo (1,9%). Já os maiores índices foram registrados em estados do Nordeste, como Alagoas e Piauí (13,1%) e Paraíba (11,6%), evidenciando desigualdades regionais persistentes.
Os dados reforçam que, embora o Brasil avance na redução do analfabetismo, o desafio permanece, especialmente entre populações mais vulneráveis e em regiões com histórico de menor acesso à educação.