Por Francisco Braz, Superintendente do IBGE AM
O setor industrial do Amazonas experimentou uma transição de um crescimento sólido de 3,6% em 2024 para uma virtual estagnação de 0,1% em 2025. Esse comportamento reflete uma saturação no Polo Industrial de Manaus (PIM) após um ano de possíveis dificuldades na cadeia de produção certamente reprimida pela baixa demanda do mercado consumidor, principalmente o nacional. A quase nulidade no crescimento indica que a indústria conseguiu operar apenas para manter o patamar anterior, sem novas expansões na produção que impulsionassem maior crescimento.
O setor de serviços registrou uma retração significativa, saindo de uma expansão de 10,6% para uma queda de 1,6% em 2025. Como este setor no Amazonas é fortemente vinculado ao suporte logístico e administrativo da indústria, a desaceleração fabril gerou um efeito dominó. A redução na demanda por transportes de carga e serviços auxiliares às empresas foi o principal fator para que o indicador entrasse em terreno negativo, revertendo o excelente desempenho do ano anterior. Além disso, os serviços dedicados às famílias também foram impactados.
Em contraste com os outros setores, o turismo foi a grande surpresa positiva, saltando de uma retração de -2,4% para um crescimento expressivo de 11,5%. Este movimento sugere que o estado conseguiu capitalizar sobre o turismo de lazer e eventos, possivelmente beneficiado por uma maior conectividade aérea ou promoção do ecoturismo. O setor de serviços turísticos mostrou-se resiliente e independente da dinâmica industrial, tornando-se um novo motor de circulação de capital no estado.
O comércio apresentou uma desaceleração acentuada, com o crescimento minguando de 4,8% para apenas 0,6%. Esse resultado aponta para um consumidor mais cauteloso em 2025, possivelmente afetado pela inflação de itens específicos, pelo alto custo do crédito e alta taxa de endividamento. Embora o varejo não tenha sido negativo, o ritmo de vendas quase estagnado reflete a menor circulação de renda disponível, apesar da melhoria nos níveis de emprego.
No âmbito social, o dado mais positivo foi a redução do desemprego de 8,3% para 7,3%. Essa queda demonstra que, mesmo com a economia "andando de lado" em termos de produção e vendas, o mercado de trabalho continuou absorvendo mão de obra. Isso pode ser explicado pelo crescimento de setores intensivos em trabalho, como o turismo e a construção civil, que conseguiram gerar postos de trabalho em um ritmo superior ao fechamento de vagas em outras áreas.
A informalidade apresentou uma leve melhora, caindo de 52,1% para 51,6%. Embora o Amazonas ainda ostente um dos índices mais altos do país — com mais da metade dos trabalhadores sem carteira assinada ou garantias previdenciárias — a tendência de queda é um sinal de maturação econômica. Esse movimento sugere que uma parcela, ainda que pequena, dos trabalhadores conseguiu migrar para postos de trabalho com maior proteção legal ao longo de 2025.
O custo do metro quadrado na construção civil acelerou de 1,72% para 3,74%, indicando uma pressão inflacionária no setor. Esse aumento acima do dobro do registrado em 2024 reflete o encarecimento de materiais básicos e da mão de obra qualificada. Por outro lado, essa variação também sinaliza uma demanda persistente por obras residenciais e de infraestrutura, que continuam pressionando os preços para cima devido ao volume de projetos em execução no estado.
Em síntese, o ano de 2025 para o Amazonas foi marcado por uma dualidade entre a resiliência social e a estagnação produtiva. Pelo lado positivo, destaca-se o vigor do turismo, que cresceu dois dígitos e ajudou a sustentar a queda na taxa de desocupação para 7,3%, além de uma leve melhora na formalização do trabalho. No entanto, o cenário é contraposto por indicadores negativos preocupantes: a produção industrial e o comércio praticamente paralisaram, indicando que o motor econômico tradicional do estado (PIM) perdeu tração. Essa combinação sugere uma economia que, embora consiga gerar postos de trabalho em setores de serviços e construção, enfrenta dificuldades estruturais para expandir sua capacidade de produção e vendas em larga escala.
Com base na tendência de 2025, o cenário para 2026 apresenta-se como um período de potencial recuperação moderada ou ajuste contínuo. Se a inflação do setor de construção (M²) for controlada e o turismo mantiver sua curva ascendente, o estado poderá consolidar a redução do desemprego para patamares abaixo de 7%. Contudo, o grande desafio reside na indústria: sem novos incentivos ou melhorias nas vendas que reaqueçam o Polo Industrial, a tendência é de um crescimento do PIB estadual abaixo da média histórica. Um cenário otimista depende da conversão do consumo reprimido em 2025 em vendas reais para o varejo em 2026, aproveitando a maior massa de trabalhadores ocupados que o estado agora possui.