IA já mudou o jogo

IA já mudou o jogo

Por Max Cohen, economista da Fecomércio-AM.

A inteligência artificial deixou de ser promessa tecnológica para se tornar infraestrutura econômica. Na última semana, uma sequência de anúncios globais evidencia que a IA já está sendo incorporada como ativo estratégico em empresas, governos e centros de pesquisa. Não se trata mais de experimentação, mas de reorganização estrutural dos modelos de negócio. Para o empresário do comércio, a mensagem é: a IA não é uma tendência distante — ela já está moldando produtividade, custos e relacionamento com clientes em escala mundial.

No campo empresarial, empresas como Walmart e DoorDash enfrentam plataformas que utilizam IA para ampliar volumes logísticos em até 400% sem aumento proporcional de pessoal. A startup HappyRobot, por sua vez, expande operações internacionais oferecendo agentes autônomos capazes de executar tarefas complexas em múltiplos sistemas. O movimento revela uma mudança profunda: a força de trabalho híbrida, combinando pessoas e agentes digitais, passa a ser vetor central de eficiência operacional. No varejo e nos serviços, isso significa atendimento automatizado, gestão inteligente de estoques, precificação dinâmica e redução de falhas operacionais.

O setor imobiliário também oferece um exemplo relevante. A Zillow informou que quase metade dos agentes utiliza IA diariamente para tarefas repetitivas e aprimoramento do atendimento. A lógica é simples: ao automatizar rotinas administrativas, o profissional libera tempo para atividades estratégicas e relacionamento. No comércio, essa mesma lógica pode ser aplicada a SACs inteligentes, análise de comportamento do consumidor e personalização de ofertas. A IA não substitui o empresário; ela amplia sua capacidade de decisão e execução.

Na fronteira científica, empresas como Eli Lilly utilizam IA para acelerar a descoberta de medicamentos, com suporte tecnológico da Nvidia. A Intuitive Surgical já incorpora dados de milhões de procedimentos para aprimorar robótica cirúrgica. Embora pareçam distantes da realidade do comércio, esses casos indicam algo maior: a IA está se tornando motor de inovação em setores intensivos em conhecimento, criando ganhos de escala e vantagem competitiva sustentada. Quem dominar dados e processos internos terá capacidade superior de adaptação.

No plano geopolítico e institucional, a Índia organizou um grande summit de impacto em IA e já atrai investimentos superiores a US$ 200 bilhões para infraestrutura digital. O Departamento de Defesa dos Estados Unidos firmou contratos milionários para projetos baseados em IA. Empresas como Amazon, Microsoft e Intel investem bilhões em data centers dedicados à tecnologia. Isso demonstra que a inteligência artificial deixou de ser aplicação pontual para se tornar política industrial e infraestrutura estratégica. Mercados emergentes que investirem cedo terão ganhos estruturais de competitividade.

É verdade que estudos indicam impacto ainda modesto na produtividade agregada. A adoção é desigual, e muitas empresas ainda experimentam a tecnologia de forma superficial. Contudo, historicamente, grandes revoluções tecnológicas apresentam um período inicial de aprendizado antes de gerar saltos expressivos de eficiência. O comércio que começar agora — adotando IA para análise de vendas, previsão de demanda, automação de marketing, atendimento conversacional e suporte à decisão — estará melhor posicionado quando os ganhos sistêmicos se consolidarem. E vale registrar: todos os movimentos aqui descritos ocorreram apenas na última semana, um retrato da velocidade com que a nova economia digital está se reorganizando.