Data de cadastro: 27/07/2010
Os altos preços praticados e a péssima qualidade da banda larga no Estado têm ampliado o afastamento geográfico e colocado o Amazonas em novo modo de isolamento: o digital. A opinião é da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas (Fecomércio), que realizou levantamento sobre os valores de preço oferecido pela banda larga dedicada e no Amazonas, esse custo chega a ser 800% superior que nos demais estados da Região Norte.
Segundo o presidente da Fecomércio, José Roberto Tadros, os preços proibitivos e a péssima qualidade da banda larga, acentuam ainda mais o isolamento, trazendo reflexos imediatos para a economia. “Essa questão engloba não apenas o comércio que é prejudicado, assim como a indústria e as comunicações”, destacou. “Se antes vivíamos um isolamento geográfico, pasmem, agora vivemos no isolamento digital”, completou.
Na avaliação de Tadros, estas atividades giram em torno da acessibilidade e da agilidade na transferência das informações, o que torna a velocidade da qualidade e o preço acessível indispensáveis ao desenvolvimento destas atividades. “Isto influi diretamente não apenas na esfera da informação, mas também da integração do Estado”, destacou.
Em um levantamento inicial realizado pela Fecomércio, junto às fornecedoras do serviço em Manaus o preço médio oferecido por uma Internet banda larga dedicada de 512 KBps sai ao custo de R$ 5 mil mensais. A mesma velocidade de banda larga dedicada, no estado do Amapá, sai ao custo de R$ 450. Outro exemplo é a banda larga dedicada com velocidade de 1 mega, que no Amapá custa R$ 900 reais por mês e no Amazonas, a mesma velocidade sai ao valor de R$ 8.750, uma diferença 872% acima da praticada no outro estado. A banda larga dedicada é quando o cliente não divide a banda com nenhum outro, conectando diretamente com o backbone, sem intermediários, direcionada ao mercado corporativo.
E não apenas o mercado corporativo é afetado. Segundo pesquisa realizada este mês pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) relativo ao tema, apontou que o megabit que ofertado pelas operadoras em Manaus, chega a ser 395 vezes mais cara que a comercializada no Japão.
Em entrevista à Agência Câmara em abril deste ano, o gerente de projetos da Secretaria de Telecomunicações, Jovino Filho, informou que até o final do ano todas as sedes dos municípios da Região Norte teriam serviço de banda disponível; porém, ressaltou que os altos impostos na região encarecem a instalação e inviabilizam o consumo por grande parte da população.